HISTÓRIAS DE VIDA DO PROJETO ALVORADA – IFG

Wesley olha atento os conteúdos apresentados, ele gosta, inclusive, de gravar todas as aulas no celular, para retomar depois

FORMATURA

28 alunos se formarão no sábado, 7, às 9h30, no Câmpus Goiânia Oeste, no curso de Eletricista Predial pelo projeto Alvorada

HISTÓRIAS DE VIDA

Egresso do sistema prisional, mais especificamente, ex-preso, como alguns deles se intitulam. Isso às vezes incomoda as pessoas, ou por terem receio, ou pelo preconceito, ou por desacreditarem que essas pessoas possam passar pela transformação social e reinserção na sociedade. É essa transformação que o IFG narrará aqui hoje. A equipe de comunicação social da Reitoria foi até a sala de aula desses alunos, onde eles passaram seis meses adquirindo conhecimento e retomando sua condição de cidadão. Na perspectiva de escrever novamente sua história, os alunos selecionados puderam melhorar aspectos emocionais, retomar a vida e ter a oportunidade fazer diferente, ao serem acolhidos por uma instituição pública. O fato é que essas pessoas, nesses momentos, foram ouvidas e reconhecidas. São essas histórias que dão sentido ao trabalho e ao papel social que os Institutos Federais devem cumprir. Essa é a resposta que o Instituto espera poder dar às pessoas, uma resposta que os participantes buscaram ao ingressar como estudantes no IFG. São histórias para além da superação, mas de ser alguém, que um dia se perdeu na vida e que a Instituição entrega à sociedade hoje, com formação profissional e novas possibilidades. Essas três histórias são do Anderson, do Alan e do Wesley.

A conversa começou bem-humorada, apesar da carga negativa nos ombros de cada um, das histórias de vida pesadas e carregadas de culpa e falta de oportunidades. Wesley Ferreira de Souza tem 45 anos. Ele percorre diariamente 16 quilômetros para estudar, metade de ida e metade de volta, entre sua casa até o Instituto Federal de Goiás – Câmpus Goiânia Oeste. Ele foi usuário de droga, mas afirma com veemência que não nasceu ladrão. “A gente entra nessa vida porque quer, a gente paga caro por escolher o caminho errado. Devido ao uso da droga me levou a cometer esse tipo de crime. Fiquei preso 10 anos”, conta o egresso do sistema prisional e atual estudante do curso de Eletricista Predial do Instituto Federal de Goiás (IFG), por meio do projeto Alvorada. Ele e outros 27 egressos participarão da formatura do curso no próximo sábado, 9h30, no câmpus.

Wesley caminha 16 km diariamente para ir estudar, mas não lamenta, apenas nunca quis desistir

Wesley estudou até o 5º ano da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e prometeu para ele e para todos que voltaria a estudar um dia. “Eu fiz o EJA, parei na quinta série, mas sempre disse que eu ia voltar a estudar, quando minha mãe era viva. Ninguém deles acreditou que eu teria coragem disso, mas eu corri atrás, achei meu histórico que tinha o EJA. Quando eu estava fazendo o EJA, fui preso e minha mãe disse que depois que eu saísse da cadeia ela ia morrer, e foi assim”, comenta. Sem apoio dos irmãos para continuar os estudos, Wesley, como muitos outros que estão na mesma condição que ele, não recebe apoio da família. Tão determinado a estudar, Wesley foi até o Patronato, órgão responsável por prestar assistência aos egressos e seus familiares, em Goiânia, e lá encontrou ajuda para conseguir participar da seleção e ingressar no curso do projeto Alvorada, no IFG.“Esse vai ser o divisor de águas da minha vida”, comenta o aluno em relação ao curso realizado na Instituição.

Antes de iniciar a formação, ele havia, inclusive, conseguido um emprego e diz que desistiu para que se tornar aluno do IFG. Orgulhoso em poder estudar, ele faz questão de dizer: “eu faço faculdade, eu encho até a boca pra falar. Mesmo que alguém tenta tirar esse meu sonho, falando que aqui é só um curso, eu falo que faço faculdade”, comemora. Mas nem tudo é como Wesley queria, pois nem a falta de apoio dos irmãos conseguiu abalar a força de vontade para que o egresso atingisse seu objetivo atual, que é “chegar até o final desse curso”, afirma. Contando com uma bolsa inicial pelo projeto, que seria de um salário-mínimo, mas que foi inviabilizada devido ao contingenciamento orçamentário do Governo Federal, Wesley se indigna ao dizer que o “governo incrivelmente não acreditou na história, tirou a metade”.  Do valor que recebe mensalmente, que é R$ 700, ele contribui com R$ 200 para a casa em que mora e se vira com os outros R$ 500, como ele mesmo diz. Para complementar a renda, trabalhava como pintor.

A condução até chegar ao serviço era a bicicleta, que foi roubada. “A partir desse dia, foi apertando mais pra mim, por eu não ter família que não acreditou na minha história, pra uma família que achou que eu ia ganhar um salário. Aí, a partir desse dia, eu ando 8 km por dia, pra ir e pra voltar, pra não perder a oportunidade de tá aqui e fazer o curso”, se orgulha, reiterando ainda: “Eu olho pro céu e penso, é difícil, mas vou chegar até onde eu quero”, diz. Nesse momento, Wesley se emociona, e lembra de outro sonho, para além de ser eletricista, que é ser cuidador de idosos.

Incentivado pela pedagoga da Educação à Distância do IFG e estudante de mestrado, Priscila de Lima Gomes, cuja pesquisa tem como foco a turma do projeto Alvorada e o processo de ressocialização dos egressos, Wesley realizou um curso de formação nessa área. Sobre a mudança de vida, ele acredita ser possível atingir os objetivos que pretende, principalmente após a formatura.  “Através do curso aqui eu pude enxergar que há possibilidade, não é por causa de um erro que você cometeu que você vai continuar sempre apagado. Mas eu estou aqui”, afirma.

Interessado e estudioso, o aluno sempre que pode grava as aulas para ouvir depois

Quem é o Wesley de hoje? Ele não hesita em falar: “Me sinto um campeão, me sinto um vencedor depois do curso. Me tornei um diamante, sempre sonhei estar dentro da faculdade e olha o que Deus me deu. Não aceito ninguém falar que é um curso, falo que estou na faculdade”. Sobre o momento da formatura, ele diz que é especial, mesmo que nenhum familiar compareça. “Vou agradecer aos que não me apoiaram. Quero mudança, quero uma vida diferente. Eu vou chegar até o final, tenho certeza!”, finaliza.

O PROJETO

O projeto Alvorada nasceu por uma iniciativa pioneira do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), por meio de um projeto de extensão no Campus Campinas. Com forte inserção social e papel imprescindível na ressocialização dos egressos, pelo processo formativo, o projeto foi um sucesso e incentivou outros institutos do país, que abarcaram a iniciativa para desenvolver, em parceria com as Defensorias Públicas e Gestoras dos Sistemas Prisionais dos Estados, turmas com formação específica para esse público. Inicialmente, no IFG, 30 alunos iniciaram na turma do curso de formação inicial e continuada (FIC) de Eletricista Predial, mas alguns desistiram no meio do processo, conta o coordenador de Extensão da Pró-reitoria de Extensão, Emmanuel Victor Hugo de Moraes. No sábado, dia 7, os 28 estudantes serão certificados e estarão aptos a ingressar no mundo do trabalho como eletricistas.

O curso, além da formação profissional, contou também com apoio da equipe multidisciplinar e atendimentos com psicólogos, para que as questões emocionais fossem tratadas ao longo do processo. A inserção no mundo do trabalho também foi outra preocupação, cujo processo tem se dado ao longo do curso, conta Emmanuel. “Até o momento, oito alunos foram inseridos no mundo do trabalho, por meio de estágio formal. Outros estão começando a trabalhar por conta própria enquanto prestadores de serviços”, afirma. Esse acompanhamento será realizado ainda pela Instituição, segundo o coordenador, por mais seis meses.

As perspectivas futuras, para novas turmas ou cursos pelo projeto, existem por parte do IFG, mas tudo depende de financiamento do Governo Federal. Nessa 1ª edição, via Ministério da Justiça, foram destinados aproximadamente R$ 664 mil, para realização do projeto em cada um dos IFs do país, que aderiram ao chamamento do Departamento Penitenciário Nacional, mas esse montante foi reduzido pela metade. Mesmo assim, o IFG conseguiu executar com a metade do valor destinando inicialmente, com readequação de tempo do curso e valor da bolsa. “Buscamos preservar o máximo a metodologia do projeto, desenvolvimento originalmente pelo IFSP – Campus Campinas”, conta Emmanuel.

Entre os objetivos do Alvorada, além da inclusão social das pessoas egressas do sistema prisional, toda uma equipe de gestores e corpo acadêmico e administrativo foram capacitados para viabilização do projeto. Os alunos foram capacitados na formação profissional específica, para além de conteúdos do curso, mas com técnicas empreendedoras, inclusive para gerir negócios de pequeno porte. Além disso, receberam informações e apoio para conseguirem estágio, receberam acompanhamento durante os seis meses de curso, articulação junto às defensorias estadual e federal para suporte jurídico e auxílio no combate ao preconceito e discriminação sofridos por elas. Em Goiás, o projeto recebeu apoio da Diretoria Geral de Administração Penitenciária e da Defensoria Pública, ambas do Estado de Goiás.

Para o coordenador do curso, professor Leonardo Martins da Silva, os objetivos previamente traçados foram cumpridos, “uma vez que foi oportunizada formação inicial no eixo tecnológico proposto, desempenharam ações técnicas em eletricidade preparando-os para a busca de um trabalho, além de ter formação em disciplinas voltadas para a orientação pessoal, saúde, convivência, português, matemática, entre outras, que, certamente, serviram como retomada para muitos que a muito tempo não tinham a oportunidade de estudar”, afirma.

Sobre o processo de reinserção efetiva na sociedade, Leonardo acredita que houve um processo de aprendizado tanto da comunidade acadêmica como da equipe e dos estudantes, em relação à condução das relações em processo de confiança mútua. “Hoje os alunos estão melhor integrados aos espaços e serviços da Instituição, possuem uma ideia de pertencimento e de direito em utilizar a Instituição, que é pública, deles de direito”, diz. O maior desafio, na visão dele, é a realização do estágio, pois ainda há resistência pelas empresas em receber os alunos do projeto em atividades profissionalizantes, mas já estão viabilizando “mecanismos de definição dos campos de estágio, de forma a garantir uma segunda certificação que haverá para esses alunos, da parte prática”, finaliza.

Professor de matemática do curso, Jeovane Dias Coelho diz que ficou muito surpreendido com a postura e a disciplina dos alunos. “A turma tem uma educação e um trato muito bom ao professor. Durante as aulas, a grande maioria dos alunos se mostraram dispostos a fazer todas as atividades e demonstraram um interesse muito grande em aprender. Teve um dia de intensivão em matemática, com 5 aulas e a turma ficou quase na totalidade até o último minuto – impressionante!”, conta o professor. Ao longo de 24 anos de experiência em sala de aula, Jeovane afirma que já teve oportunidade de trabalhar com outras turmas de educação de jovens e adultos, mas que “com certeza esta turma vai ficar marcada na minha carreira. Desejo muita sorte aos nossos alunos na sua vida profissional!”, encerra.

MAIS TÉCNICA

Formando Alan Carlos conta sobre família, vida da prisão, perspectivas para o futuro e o berço que a instituição representa pra ele

Em relação ao curso em si, o aluno Alan Carlos Porto Carrijo, 32, recomenda que em uma próxima edição seja possível aprofundar especificamente na parte técnica de eletricista predial. Ele possui o ensino fundamental completo e pontua que muita gente acha que por serem egressos do sistema prisional, eles não possuem estudo. E a situação não é bem essa, segundo o egresso. Com uma história familiar conturbada, também permeada pelas drogas, Alan possui três filhas, uma recém-nascida, das quais está afastado por uma medida judicial solicitada pela ex-mulher. Nesse contexto, ele pretende mudar de vida, retomar o convívio com as filhas, que hoje desacreditam do pai. Com histórico de boas empresas em que trabalhou, em Goiânia, recebeu várias recusas de emprego após ter saído da prisão. Ele atribui isso por ser egresso do sistema prisional: “já vinha aquela velha história triste, você é bom de serviço, a gente gostou do seu trabalho, mas já preenchemos a vaga”, conta. Também sem apoio da família, a única pessoa que nunca desistiu dele foi sua mãe.

O pesar de Alan é justamente não receber o apoio e a confiança dos familiares. “A maior dificuldade para nós é a família. A família é aquela que acusa, aponta os erros do passado, ela não costuma enxergar o que a gente está fazendo hoje pra melhor. É um sofrimento que tenho passado”, comenta. Com a bolsa que recebe do curso, ele manda pensão para as filhas, ajuda na casa da mãe e sobram uns R$ 50 por mês, “pra gente comprar uma roupa, porque a gente sai do presídio com a roupa do corpo”, afirma. O aspecto emocional também permeou a vida de Alan dentro da prisão, com episódios de humilhação e doença, sem tratamento de saúde adequado. Ele lembra com pesar desses momentos, mas se diz animado em mudar de vida, procurou o Patronato, que o informou sobre o curso no IFG. Com conhecimentos básicos nessa área, Alan comenta que o Instituto tem contribuído para essa mudança de vida que ele escolheu nesse momento.

Sobre como ele chegou na Instituição e como está saindo, agora formado, Alan não pensa duas vezes em dizer que, hoje, consegue pensar e fazer o que é o certo. Ele tem visto grandes mudanças internas, inclusive na forma de conversar,

“Minha mãe mesmo falou, Alan, você está mudado. Antes falava alto, hoje consegue conversar em paz, sossegado, tranquilo”, afirma. Sobre a acolhida na Instituição, “É a mesma coisa de ter pegado a gente no colo, sabendo das nossas dificuldades, do peso, da sujeira que a gente estava, por a gente dentro duma banheira, dar um banho, vestir uma roupa limpa, dar o melhor de comer, sentar depois com a gente, conversar, dialogar e falar que a gente é capaz de ser um vencedor na vida, independente de todo os erros que tivemos. Tenho um grande agradecimento pela instituição, aos professores que nos passaram forças positivas, o conhecimento que eles tinham trouxeram pra nós de melhor. Muito gostoso viver tudo isso”, pontua.

Alan conta como está agora, com a formatura, e volta à vida

Com uma página em branco nas mãos, Alan também escreveria uma nova história. Emocionado, com lágrimas aos olhos, relembra que tinha sonhos em que não tinha mais motivos para viver, sendo privado de passar a virada do ano, para 2020, com a família, em Imperatriz do Maranhão, mas que agora “isso sumiu de mim”. Cristão, Alan se apegou também à religião e foi acolhido pela comunidade da sua igreja, que tem contribuído nesse processo de ressocialização dele. “A maior afinidade que é no exato momento, é fé, que em janeiro do ano que vem eu vou estar trabalhando, que ano que vem eu possa reconstruir a minha vida do zero, pelo certo, pelas forças honestas. Tive forças pra fazer as coisas erradas, por que não posso correr atrás do que é certo e deixar minha herança para as minhas filhas?”, afirma. Ele espera que as filhas tenham orgulho do pai no futuro, num processo de reconquista da filha mais velha, de 12 anos, que hoje o rejeita. Alan, como ele mesmo diz, gosta de uma prosa e conversa com pessoas desde o vigilante do câmpus aos professores e à psicóloga, esquecendo, inclusive, de um vício difícil de acabar, que é o cigarro. “O IFG me trouxe essa oportunidade de voltar a estudar, sempre tive notas boas. Agora é hora de reconstituir a minha vida”, finaliza o formando.

RAIO-X

As condições pelas quais esses detentos passam condiz com a realidade em números nesses locais. Em Goiás, segundo dados de 2019 do Conselho Nacional do Ministério Público, existem 115 estabelecimentos prisionais. Eles estão ocupados por 22.444 presos nos diversos regimes (fechado, semiaberto, aberto, prisão provisória e medida de segurança). A capacidade para abrigar esses presos é de apenas 11.695 vagas, ou seja, a taxa de ocupação perpassa a casa dos 191,91% a mais, contando o primeiro trimestre desse ano. Na área da educação, em apenas 27,78% (35) dos estabelecimentos prisionais há assistência educacional e na maioria, 72,22% não há. Desses, apenas 11,9% são de ensino profissionalizante, 24,6% de alfabetização, 25,4% de ensino fundamental e 14,29% de ensino médio, sendo inexistente para o ensino superior. Estes dados são de 2018. Já no trabalho interno, apenas 9,16% dos homens encarcerados trabalham, ou seja, 1.970 deles exercem atividade profissional dentro das cadeias. Entre as mulheres, são 11,76% delas que prestam serviços profissionais, 137 apenas.

PAPEL SOCIAL

A Instituição, reconhecida pelos participantes do curso em seu papel social de reinserir as pessoas na sociedade, não apenas no mundo do trabalho, mas no convívio familiar, na retomada de vida por meio do reconhecimento como cidadão, na autoestima recuperada, na perspectiva de ser uma pessoa que errou, mas que tem chance de se refazer, desenvolve essa e outras ações de extensão. O diálogo com a sociedade procura “dar respostas às questões sociais, a exemplo da ressocialização dos egressos do sistema prisional”, afirma Emmanuel. Como integrante da equipe que viabilizou o projeto no IFG, ele tem propriedade pra falar, por conhecimento de causa e experiências profissionais passadas com esse público, em outra instituição, que “Estas pessoas, em geral, possuem baixa escolaridade e estão em situação de vulnerabilidade econômico-social. Ao cumprirem suas penas e retornarem ao convívio social, são discriminados em todas as esferas e, com isso, tendem a retornar à criminalidade”, contextualiza. Por isso, o Projeto Alvorada, segundo o professor, apresenta possibilidades de reeducação, de fato, aos egressos, e oferece condições reais de reinserção no mundo do trabalho e convívio com sua família e sociedade.

Assim finaliza: “Em tempos de ´bandido bom é bandido morto´, o Projeto Alvorada é exemplo de que a educação muda, transforma e rompe barreiras de preconceito”, enfatiza Emmanuel.

CREDIBILIDADE

Com uma história de vida um pouco diferente, Anderson Gonçalves dos Santos, 31, sempre contou com o apoio da família, principalmente da esposa e dos filhos. Por deslize, prestou serviços comunitários como cumprimento de pena, mas nesse momento, assim como os demais participantes do curso, tenta retomar sua condição de trabalhador e reconquistar os demais familiares. Sua experiência no IFG tem sido boa, “sempre quis ser eletricista”, conta o estudante. Inclusive, ele já foi aprovado em uma fase na seleção para um curso técnico subsequente em Eletrotécnica, no Câmpus Goiânia, e agora vai só entregar os documentos para tentar ingressar por meio das cotas. Ele vive praticamente da renda do curso e caso não tivesse esse dinheiro, conta que não teria como continuar.

As expectativas com o fim do curso, que, segundo ele, forneceu o básico, são conseguir continuar os estudos e daí para frente ingressar na carreira. “Lá em casa a gente é até bem estudado, tenho vários cursos, informática, já trabalhei de telemarketing, já terminei meus estudos, o nível médio, em 2010”, conta. Sobre a mudança de vida, após ingresso na Instituição, o aluno não apostou muito no curso, pois o histórico dos demais estudantes era diferente do dele.

A expectativa dele agora é crescer profissionalmente estudando, ir além do básico e aprofundar, destacando que as aulas foram fundamentais, inclusive, a disciplina de projeto de vida. “Vai acabar o curso e não tivemos nenhum problema, ninguém ficou comentando do que já fez”, afirma.

Sobre um novo projeto de vida, comenta que faria o oposto do que é hoje, pois seu sonho sempre foi ser um policial. Ele ainda espera conseguir. Sobre a formatura, que está próxima, a família participará e isso é importante, segundo o egresso, pois mostra uma retomada da credibilidade perante as pessoas.

PESQUISA

O processo de reinserção social dos egressos do sistema prisional, por meio da educação profissional, também é tema da dissertação de mestrado da servidora e pedagoga Priscila Gomes. “O objetivo é verificar se é possível eles serem reinseridos no mundo do trabalho, ou até inseridos, pois alguns nunca trabalharam, tinham renda apenas do crime, saber se por meio da educação profissional conseguem ser reinseridos no mundo do trabalho”, comenta a mestranda. Por meio do curso de mestrado profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT), a servidora está no meio do processo de pesquisa, com análises da bibliografia sobre o tema, observações em sala de aula, na turma, e realização de entrevista por grupo focal. Nesse momento foram avaliadas questões referentes ao que o curso representa na vida deles, trajetórias e perspectivas.

Pelos resultados iniciais da pesquisa, pois ainda faltam as análises próprias do processo de investigação, ela conta que eles dizem que o curso tem somado e tem sido de grande significado para a vida desses alunos. Convivendo com eles há algum tempo, Priscila é conhecida pela turma e conta que eles chegaram aqui, alguns, sem esperança, “sem saber que rumo iriam tomar na vida. Quando saem do sistema prisional, saem sem emprego, muitos têm baixa escolaridade, então chegam com a esperança de se reerguerem na vida. Pelo que conversei com os alunos, o projeto Alvorada fez com que tivessem uma nova visão de vida, ficando motivados a encarar o mundo do trabalho, recuperar a autoestima”, comenta. Por meio do curso, a servidora relata que percebeu que eles se sentem pessoas melhores, muitos já pensam em fazer outros cursos, e que ela vê de forma muito positiva o que está sendo feito. “Precisamos continuar brindo portas. Vejo que é possível reintegrar eles no mundo do trabalho, mas é preciso darmos oportunidades e isso vimos que o IFG está fazendo, dar a eles essa oportunidade”, finaliza.

O projeto passou por algumas dificuldades iniciais, superadas por um trabalho de sensibilização da comunidade, por parte da Pró-reitoria de Extensão, no sentido de mostrar a importância do curso para essas pessoas, da necessidade de a Instituição em atender esse público. E quando viram que o pai de um aluno do câmpus também era egresso do sistema prisional, mas que teve oportunidade de estudar e trabalhar, a comunidade começou a ver com outros olhos, comenta Priscila.

“Se a gente fechar a porta é pior, se a pessoa não consegue trabalhar, estudar, ela não tem como se manter, temos que abrir as portas”, reitera a pedagoga.

Diretoria de Comunicação Social (Dicom)/Reitoria IFG

Jornalista Tássia Galvão

Fotos: André Nunes

Apoios: Pró-reitoria de Extensão e Coordenação de Comunicação Social/Câmpus Goiânia Oeste

(62) 3612-2286


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